A China realiza na manhã desta sexta-feira a cerimônia de abertura mais cara da história dos Jogos OlÃmpicos. Cerca de 160 mil pessoas devem participar e grandes filas se formaram nos arredores do Estádio Nacional. Cerca de 1 bilhão de pessoas devem ver a festa pela televisão. O responsável por condensar 5 mil anos de história chinesa em 1h50 é o cineasta Zhang Yimou. Será que cabe?
PEQUIM (Reuters) – A China realiza na sexta-feira a mais cara cerimônia de abertura olÃmpica da história, em uma tentativa de chamar a atenção para sua modernidade, após meses de incidentes polÃticos envolvendo o governo comunista nos preparativos para os Jogos OlÃmpicos de Pequim.
Entre os espectadores da cerimônia no estádio olÃmpico apelidado de Ninho de Pássaro estará o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que chega a Pequim um dia depois de fazer o seu mais duro discurso contra a situação dos direitos humanos na China.
Muitos apostam que a China vá disputar com os EUA a hegemonia global neste século, a começar pelo quadro de medalhas nestes Jogos.
A China espera que a cobertura negativa da imprensa a respeito de questões como a repressão no Tibete acabe à s oito horas da noite do 8o dia do oitavo mês uma combinação associada à fortuna (no horário de BrasÃlia, 9h de sexta-feira). A audiência global prevista para a festa é de 1 bilhão de pessoas.
Ostentando seu recém-adquirido poderio econômico, a China investiu 43 bilhões de dólares na OlimpÃada. Foram 100 milhões só para as cerimônias de abertura e encerramento, o dobro do gasto em Atenas 2004.
Pequenos grupos de estrangeiros tentaram promover manifestações nesta semana em Pequim, mas foram rapidamente dispersados pela polÃcia parte de um esquema de segurança com 100 mil soldados e agentes.
Na segunda-feira, um ataque atribuÃdo a separatistas islâmicos matou 16 policiais no oeste da China, e na quinta-feira duas empresas dos EUA que monitoram declarações de militantes disseram que um grupo muçulmano pouco conhecido ameaça cometer ataques durante os Jogos.
Um vÃdeo datado de 1o de agosto traz imagens do logotipo dos Jogos de Pequim em chamas e de um orador mascarado e portando um rifle AK-47, segundo a empresa Site Intelligence Group.
O governo chinês declarou nesta semana que continua confiante na segurança do evento.

BANDEIRAS
Durante o desfile das delegações, a bandeira do paÃs anfitrião será carregada pelo mais famoso esportista chinês, o jogador da NBA Yao Ming, de 2m29 de altura.
Num possÃvel constrangimento a China e Sudão, os atletas dos EUA escolheram o ex-refugiado sudanês Lopez Lomong, hoje naturalizado norte-americano, como porta-bandeiras. Lomong foi vÃtima de milÃcias árabes patrocinadas pelo governo e aos seis anos, em 1991, teve de fugir do sul do Sudão.
A China vende armas para o Sudão e investe no setor petrolÃfero do paÃs. Ativistas estrangeiros dizem que a má-vontade de Pequim impede que a comunidade internacional exerça mais pressão sobre Cartum a respeito do conflito na região de Darfur, onde poderia haver atrocidades cometidas com aval do governo.
Infelizmente para o ideal olÃmpico de harmonia, desta vez não houve acordo para que as duas Coréias desfilassem juntas, como em 2004 e 2000.
E, embora Bush tenha dito que veio por conta do esporte, não da polÃtica, ele proferiu na quinta-feira em Bangcoc um duro discurso em que manifestou "firme oposição" à prisão de dissidentes, militantes dos direitos humanos e ativistas religiosos.
Entretanto, as desavenças da geopolÃtica global não devem arrefecer o ânimo dos muitos chineses que há sete anos se prepararam para o maior evento internacional já feito no paÃs.
Cerca de 15 mil pessoas participarão das coreografias, e serão utilizados 29 mil fogos de artifÃcio, uma invenção local. O cineasta Zhang Yimou foi o encarregado de condensar 5 mil anos de história chinesa em um só espetáculo.